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Escola de Música da UFRJ seleciona solistas para O Diletante

A Escola de Música (EM) está selecionando solistas para O Diletante, ópera cômica escrita por João Guilherme Ripper, com estreia marcada para 25 de setembro no Salão Leopoldo Miguez. A montagem comemora os 20 anos do Projeto Ópera na UFRJ, que, em parceria com as Escolas de Belas Artes e Comunicação, já encenou ao longo dessas duas décadas dezesseis espetáculos, sempre com enorme sucesso.

Criado em 1994 por iniciativa de alunos de graduação da Escola, Ópera na UFRJ é um dos mais bem sucedidos projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos na UFRJ. Envolve atualmente um contingente de mais de cem docentes, discentes e técnico-administrativos da instituição, e proporciona um campo importante de qualificação acadêmica e profissional para estudantes de graduação de música, artes plásticas, teatro e dança.

A iniciativa ganhou nos anos recentes um novo formato e passou a incluir apresentações em espaços fora da Escola de Música. Uma experiência que continua este ano, com apresentações já confirmadas no Teatro Municipal de Niterói e no Auditório do Centro de Tecnologia da UFRJ, e outras em fase de negociação com teatros municipais do Estado.

“Na verdade, é uma honra para mim participar desse projeto e ter sido escolhido para escrever uma obra para comemorar os seus 20 anos”, faz questão de destacar Ripper – compositor brasileiro contemporâneo que mais tem se dedicado ao gênero. E acrescenta, “acho muito auspicioso que a Escola aposte numa ópera contemporânea”.

O Diletante

João Guilherme Ripper é compositor, regente de orquestra e professor da Escola de Música. Atualmente ocupa a direção Sala Cecilia Meireles. Da sua produção constam as óperas Domitila (2000), Anjo Negro (2003) e Piedade (2012). O Diletante será a sua primeira incursão no gênero cômico.

Como em suas experiências anteriores, Ripper assina o música e o libreto da ópera, que se baseia na peça homônima de Martins Pena. O Diletante é uma das mais divertidas obras escritas pelo pioneiro da comédia de costumes no Brasil. O alvo da crítica bem-humorada é o gosto pelo importado, pelo que vem de fora, modismo que atingia os brasileiros da primeira metade do séc. XIX, principalmente depois da chegada, em 1808, da Família Real e da corte portuguesa, com suas roupas, hábitos, costumes, música, e tudo o que era moda então na Europa.

Para contar as trapalhadas provocadas por um rico comerciante que, amante de ópera, faz tudo para unir sua filha com um pretendente que também se interesse pelo gênero, Ripper se permitiu algumas liberdades em relação ao original de 1844. A mais importante, um deslocamento no tempo e no espaço que ambienta a trama na Copacabana dos anos 1950.

– É um momento muito interessante porque é quando nasce a Bossa Nova, afirma. Ao mesmo tempo um Rio de Janeiro e um Brasil começam a se descobrir. A mudança me abriu também a possibilidade de usar alguns elementos estéticos e harmônicos que remetem àquele movimento e aos arranjos de Tom Jobim.

Seleção

Os interessados em participar da seleção para solista têm até dia 15 de maio para se inscrever no Setor Artístico da Escola, de 14 às 16h. Os candidatos devem preencher a ficha de inscrição e obter autorização do seu orientador. No mesmo local podem retirar as partituras de seu personagem. Tanto a ficha quanto as partituras estarão disponibilizadas também no site da EM.

As personagens e vozes são as seguintes: Quintino, rico comerciante italiano – barítono; Merenciana, sua mulher – mezzosoprano; Josefina, sua filha, ingênua e fútil – soprano; Gaudêncio, rico fazendeiro de Mato-Grosso – barítono; Marcelo, malandro, aproveitador e vigarista – tenor; e Constanza, irmã de Gaudêncio – soprano.

As audições estão marcadas para 16 de maio, às 16h, na Sala Henrique Oswald. Apenas alunos da EM podem participar.

O maestro André Cardoso está à frente da direção geral da montagem e regência. Na direção musical, Marcelo Coutinho, professor do Departamento de Canto. José Henrique Moreira, da Direção teatral da ECO, é o responsável pela concepção cênica. Desirée Bastos e Andrea Renck, docentes da EBA, coordenam respectivamente as equipes de figurino e cenografia.